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Home » Viagens fora do Brasil » Alimentação no Chile – Parte 1: Santiago e Pucón


Quando ainda estávamos na fase de planejamento da viagem ao Chile, um dos detalhes que surgiram entre as informações que colhemos de relatos, em fóruns especializados, foi a de que a comida no Chile seria muito ruim. Comentei isso com um amigo, brasileiro-chileno, e ele logo observou: “o que é ruim?”.

Risoto com vinho no Senzo, em Pucón

Risoto com vinho no Senzo, em Pucón

Camila e eu somos bem diferentes no que diz respeito à comida. Ela é bastante seletiva. Eu, nem tanto. Mas também gosto de comer bem. Mas a gente sabe que o que não falta no mundo é gente excessivamente chata, ou que só gosta de comer o que está acostumado. E nessa, muita gente viaja a países longínquos e acaba comendo em lugares que julgam mais, digamos, seguros, como lojas de grandes cadeias de comida rápida. Isso não tem a menor graça.

Aliás, mesmo nos lugares onde a comida é conhecida, vimos outro dia um vídeo no YouTube, em que brasileiros de passagem por Santiago do Chile resolveram comer na loja de uma conhecida cadeia de lanches rápidos. Ao abrirem o hambúrguer, surpresa! Havia creme de abacate junto com a carne. É que os chilenos apreciam o abacate, que é diferente do nosso, um pouco mais amargo, como algo que se deve comer em pratos salgados. Para eles, abacate com açúcar deve ser algo impensável.

Não tivemos problema algum com comida por lá. Muito pelo contrário!

Atendimento nos restaurantes chilenos

Voltei do Chile revoltado. Com os brasileiros. E principalmente com os da minha cidade. Em praticamente todos os restaurantes, nem bem havíamos chegado e alguém já nos atendia. Esse tipo de experiência não é comum no Brasil, muito menos em Petrópolis, cidade onde residimos. No Chile, uma vez feito o pedido, o atendimento é bastante rápido. Na hora de pagar tampouco há qualquer espera. Voltei do Chile convencido de que os donos de restaurantes brasileiros, especialmente os petropolitanos, precisam passar uns dias por lá aprendendo a servir melhor seus clientes. A partir dessa viagem, meu parâmetro de comparação para atendimento em restaurantes passou a ser o chileno… :)

Exterior do La Maga, em Pucón

Exterior do La Maga, em Pucón



Nossa experiência

Uma vez no Chile, reforçou-se a ideia de que quem reclamou da comida no Chile deve ser muito enjoado mesmo. Chato. Porque comida foi um dos pontos altos de nossa deliciosa viagem de dez dias pelo Chile.

Quem nos acompanha no blog já conhece nosso modo de administrar a alimentação, ou seja, sabe que, normalmente, não almoçamos. Nem tanto por economia mas, principalmente, para ganharmos tempo. Nosso objetivo principal é sempre visitar lugares e fotografar bastante. Por isso, para tapear o estômago, vamos de sandubas e biscoitos o dia todo e não perdemos tempo com almoço. E no jantar caprichamos tanto quanto possível.

Se você, assim como nós, for apreciador de um bom salmão, o Chile será um prato cheio, literalmente. Sendo a base da alimentação dos chilenos, está em todos os lugares e por preços muito convidativos que só variam mesmo em função do tipo de estabelecimento. Se quiser um salmãozinho para viagem, encontrará facilmente em barraquinhas e trailers, por preços inacreditáveis.

E os vinhos? Claro! Os vinhos chilenos! Se aqui os vinhos chilenos chegam com preços atraentes, lá deve ser baratinho, não? Bem, depende. Sim, você encontrará vinhos muito baratos nos supermercados, mas cairá da cadeira quando vir a carta de vinhos na maioria dos restaurantes e, a menos que seja mesmo abonado, vai preferir um refrigerante ou uma água. Caro! Muito caro! Mas nem sempre, felizmente. Em alguns restaurantes o preço não era assim tão absurdo, principalmente para quem está acostumado com os preços no Brasil.

Não se esqueça, também, que comer nas estações de esqui sai bem caro. Tiramos a prova quando visitamos o Valle Nevado e as estações próximas.

Deu água na boca? Então, sem mais delongas, vamos à primeira parte das nossas experiências gastronômicas no Chile.

Santiago

Primeira noite

Chegamos a Santiago no início da noite, cansados, ficamos hospedados no B&B Conchita Flores, no bairro Providência, e logo saímos para procurar um restaurante nas redondezas. Sem irmos muito longe, encontramos um restaurante que não estava lotado e que nos pareceu simpático, sem nos darmos conta, no entanto, de que se tratava de um restaurante de comida peruana.

Restaurante peruano Barandiaran, em Santiago do Chile

Restaurante peruano Barandiaran, em Santiago do Chile


Sim, nossa primeira refeição no Chile foi em restaurante peruano… e só nos demos conta disso, enquanto aguardávamos nossos pratos, ao observarmos as pinturas e gravuras nas paredes. Era o restaurante Barandiaran, onde saboreamos um peixinho delicioso, o mero, acompanhado de um delicioso vinho chileno. Boa comida, ótimo preço e atendimento. Apesar de ainda não ter sido um restaurante chileno, começamos bem.

Mero ao molho de coentro. Delícia!

Mero ao molho de coentro. Delícia!


Segunda noite

Era uma quinta-feira, mais ou menos às 20h, quando resolvemos sair para jantar, ali mesmo no bairro providência, onde se encontram alguns dos bons restaurantes da cidade. Terrível erro. O que não sabíamos era que quinta-feira à noite os chilenos saem para comer fora, e tudo estava muito lotado, com fila de espera. Tentamos o Ligúria, restaurante muito recomendado, mas estava lotado.

Cansados que estávamos, nem pensar em enfrentar fila. Depois de um dia de saçaricação intensa, estávamos exaustos e famintos. Nada de fila! Mas a tarefa de encontrar um bom restaurante sem fila de espera mostrou-se uma missão impossível. Acabamos entrando em um que pareceu aconchegante, naquela noite fria, mas ao entrarmos logo percebemos que se tratava de um bar. Com música bem alta. E a única coisa mais aceitável que tinham era pizza, que não era lá essas coisas. Comemos a pizza no tal do Bar Minga, mais deslocados do que pinguim no Saara, e foi só.


Pucón

O primeiro dia e a empanada da padaria da mulher esquisita.
Chegamos no meio da tarde ao hostel e, de lá, fomos comprar material para nossos sandubas diários, já que havia geladeira à disposição no hostel. No caminho, passamos por uma padaria para experimentar a empanada, recomendadíssima pelo Leo, o proprietário do hostel Frontera Pucón, onde estávamos hospedados. A pequena padaria, (acho que foi a Panadería Rostok), ficava bem próximo do hostel e fomos caminhando até lá. Aliás, tudo é relativamente perto na pequena Pucón. E lá confirmamos a qualidade da empanada. Delícia. O único problema foi a má vontade da mulher que nos atendeu. Perguntou-nos se queríamos que aquecesse a empanada. Sim, respondemos. Ela fez cara feia e levou as empanadas ao micro-ondas. Depois, sei lá por que, embrulhou-as. Desembulhamos e comemos lá mesmo. Adoramos e quisemos uma segunda rodada. Ela estava lá nos fundos da loja e, ao ser chamada para servir-nos mais empanadas, faltou nos xingar. Xingou com o olhar. Mas as empanadas estavam ótimas de novo. O mais incrível é que a mulher antipática que parecia não querer vender não era empregada da loja. Era a proprietária. Vá entender… Foi o único lugar no Chile em que não fomos bem tratados. Para o atendimento em todos os demais lugares, só temos elogios.

Mais tarde, tomamos um chocolate quente delicioso, na lanchonete Café de La P, na Avenida Bernardo O’Higgins.

Em nossa primeira noite em Pucón não saímos para jantar, pois estava caindo um dilúvio e eu não estava me sentindo muito bem por causa de uma gripe forte. Ficamos no hostel e comemos uns sandubas mesmo.

No segundo dia fomos jantar no La Maga, especialista em parrillas, onde Camila saboreou um Bife de Chorizo, e eu escolhi o salmão com alcaparras. Nesse restaurante os preços dos vinhos eram um absurdo. Fomos de refrigerante mesmo. Para acompanhar, pedimos batatas cozidas. Mas lembre-se, no Chile, o acompanhamento é sempre pago à parte!

O sono e o cansaço fizeram as fotos do celular ficarem horríveis. Sobrou essa para dar uma ideia do lugar.

O sono e o cansaço fizeram as fotos do celular ficarem horríveis. Sobrou essa para dar uma ideia do lugar.


Comida excelente, bom atendimento.

No terceiro dia por lá, fomos ao ótimo Fiorentini, onde experimentamos a truta recheada com salmão – um absurdo de delícia.

Truta recheada com salmão. Delícia em dose dupla!

Truta recheada com salmão. Delícia em dose dupla!


Lá os preços dos vinhos estavam razoáveis e, claro, a festa foi completa. Bom demais.

Restaurante Fiorentini, Pucón, Chile

Restaurante Fiorentini, Pucón, Chile


No quarto dia foi a vez de experimentarmos algo diferente em outro restaurante, o Senzo.

Senzo, Pucón, Chile. Excelente para massas.

Senzo, Pucón, Chile. Excelente para massas.


Camila escolheu um rizzoto e eu preferi um nhoque com berinjela, tudo acompanhado por vinho chileno.

Nhoque com beringela do Senzo, Pucón.

Nhoque com beringela do Senzo, Pucón.


No dia seguinte, nosso último dia em Pucón, não pretendíamos almoçar mas, por um equívoco de Camila, que esqueceu de ajustar o relógio para o fuso local, acabamos ficando com uma hora sobrando e resolvemos comer algo no horário do almoço. Foi aí que conhecemos o Rap Burger, na avenida Bernardo O‘Higgins, onde comemos o hambúrguer com o maior diâmetro que já tínhamos visto. E olha que pedimos o mais simples que tinha!

Rap Hamburguer. Para quem tem fome mesmo.

Rap Hamburguer. Para quem tem fome mesmo.


Bem servido, era hambúrguer que não acabava mais, e delicioso.

Rap Burger, adoramos o sandubão

Rap Burger, adoramos o sandubão


Foi um ótimo reforço antes da viagem que estávamos prestes a iniciar, dessa vez de ônibus, 5 horas até Puerto Varas.

No Chile os 10% do garçon não vêm incluídos na conta. Você precisa calcular na hora.

Veja a segunda parte desse post, onde falaremos sobre os restaurantes em Puerto Varas.

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