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Vinícola Tassinari: O sabor da serra do Rio de Janeiro

Cercada por cafezais e pelas belíssimas vistas do vale que se têm dos vinhedos a 1.000 metros de altitude, a Vinícola Tassinari pode surpreender inclusive os viajantes mais experientes que gostam de um bom vinho e da vibe interiorana.

Talvez poucas pessoas imaginariam que, em meio às montanhas da serra fluminense, em uma pacata cidade do interior do estado do Rio de Janeiro, há uma nova vinícola em uma antiga fazenda de café.

Localizada na serra do Rio de Janeiro, a Vinícola Tassinari vem comprovar que o enoturismo está florescendo com muito ímpeto nesta parte do país.

Neste artigo vou te ajudar a planejar a visita, saber como chegar e o que esperar dessa vinícola, ideal para quem busca experiências autênticas e aquele ritmo tranquilo que só o interior oferece.

Taça de vinho tinto escrito Vinícola Tassinari e tábua de frios em segundo plano
Vinícola Tassinari em São José do Vale do Rio Preto

Rota do vinho na serra do Rio de Janeiro

Essa propriedade rural onde o vinho, o clima e a calmaria se encontram em perfeita harmonia foi a nossa primeira visita na nova rota do vinho na serra fluminense.

O estado do Rio de Janeiro, tradicionalmente associado às belas praias e ao seu extenso litoral, vem ganhando espaço também entre os amantes do vinho.

De acordo com a matéria da Veja Rio, há cerca de 35 produtores de vinho na Serra Fluminense.

A Vinícola Tassinari, situada no interior da região serrana, é um exemplo muito promissor desse novo capítulo do enoturismo brasileiro e, em especial, do enoturismo fluminense.

Resultado de um projeto familiar que uniu a tradição rural, o clima serrano e a paixão pela qualidade, a vinícola está entre as pioneiras na produção de uvas e vinhos de alta qualidade no interior do estado.

A paisagem da propriedade é cercada por colinas verdes com vastos cafezais, cenário perfeito para um passeio que combina turismo rural, o paladar do vinho e o paladar do café. Uma delícia!

Mas por que exatamente a Tassinari merece um espaço no seu roteiro pelas vinícolas da região serrana do Rio? Vou te contar, calma.

Porteira de madeira e caminho de terra na entrada com uma placa com o nome Vinícola Tassinari
Entrada da Vinícola Tassinari

Onde fica e como chegar na Vinícola Tassinari

A Vinícola Tassinari fica localizada em São José do Vale do Rio Preto, que por sinal é a cidade onde Tom Jobim compôs a música Águas de Março e é também a minha cidade natal.

Para mim, nascida e criada em São José, é muito gratificante saber que há um projeto tão especial e promissor por aqui.

O município fica nas proximidades de Petrópolis e Teresópolis e a cerca de duas horas (e meia, dependendo de alguns fatores) da capital carioca.

O acesso é feito por estradas asfaltadas e bem sinalizadas, com trechos que passam por entre belas montanhas, colinas e vales.

O asfalto vai até o portão de entrada da propriedade e, dentro dela, o acesso é feito por estrada de terra em bom estado.

Quem sai do Rio percorre cerca de 130 km até a vinícola e o caminho mais comum é pela BR-040, que também tem belíssimas vistas até Petrópolis. O restante do trajeto é percorrido pela Estrada União Indústria e, posteriormente, pela Estrada Silveira da Mota.

Há outros caminhos também, claro. Você pode chegar por Teresópolis, por exemplo. Tudo vai depender do seu ponto de partida e do seu roteiro.

De qualquer forma, o caminho é acompanhado por muito verde e o Google Maps ou Waze levam direitinho até a propriedade.

Embora o local seja de fácil acesso, vale a pena conferir as condições da estrada antes da viagem, especialmente em períodos de chuva.

Para quem não vai com grupos, o carro próprio é a única opção. Especialmente porque dentro da propriedade é necessário se deslocar com seu próprio veículo até o local de recepção de visitantes e, posteriormente, até as videiras.

Paisagem rural com cafezais da Vinícola Tassinari
Paisagem rural com cafezais da Vinícola Tassinari
  • Endereço da Vinícola Tassinari: Fazenda São Francisco — Rua São Francisco 1153, Jaguara, São José do Vale do Rio Preto, RJ
  • Telefone para contato (com WahatsApp): 24 99231-3872
  • Instagram da Vinícola Tassinari

A história da família Tassinari e o nascimento da vinícola

Na família desde 1964, a fazenda São Francisco foi adquirida pelo patriarca e imigrante italiano Paolo Tassinari. Em 1980 as primeiras mudas do café arábica começaram a escrever a história da marca Tassinari.

O projeto da vinícola nasceu em 2018 do desejo da família dos três irmãos Tassinari de agregar, na antiga e bem sucedida fazenda produtora de café, um espaço dedicado à vitivinicultura, sem perder o vínculo com as origens rurais e cafeeiras da propriedade.

Laura Tassinari, sócia proprietária da vinícola, é quem está à frente desse belo projeto.

Xícara branca de escrita Café Tassinari
A antiga fazenda de café está abrindo espaço para os vinhos

Com o objetivo de produzir vinhos de qualidade em solo fluminense, os Tassinari começaram em 2019 com pequenas plantações experimentais de uvas adaptadas ao clima da serra, aplicando uma técnica inovadora chamada de dupla poda (explico melhor mais abaixo).

Em 2021 colheram a primeira safra e, com o tempo, a produção evoluiu, a estrutura cresceu e o resultado vem conquistando paladares de consumidores e especialistas.

Hoje, o nome Tassinari é sinônimo de autenticidade e alta qualidade, a essência do trabalho artesanal e de uma família que acreditou no potencial do vinho brasileiro fora do eixo tradicional do sul do país.

O que a Tassinari tem a oferecer de especial?

Produzir vinho em uma região onde o inverno é muito úmido e o verão é muito quente com chuvas muito intensas é um grande desafio.

Com a tecnologia da dupla poda, ou poda invertida (calma, já explico), e o cuidado com cada etapa do cultivo à fermentação, a Tassinari vem conseguindo vencer o desafio de produzir vinhos estáveis e de alto nível no sudeste do país.

Para cumprir essa missão, a vinícola construiu sua própria cantina, o que coloca nas mãos dela o controle total de todo o processo e a garantia da qualidade dos produtos que oferece.

Além disso, as uvas são colhidas manualmente e passam por um processo minucioso de seleção.

A vinícola utiliza variedades adaptadas à serra fluminense, como Syrah e Marselan, além de experimentações que buscam expressar o terroir local.

Alguns dos vinhos da Tassinari têm passagem por barrica, inclusive de carvalho francês primeiro uso, e a vinícola produz também rótulos Grand Reserva, mas em sua maioria são vinhos mais leves e muito agradáveis.

De uvas tintas, além da Syrah e da Marselan, a Tassinari atualmente tem vinhas de Cabernet Sauvignon, Tempranillo e Cabernet Franc.

Além do tinto, o Syrah também empresta seu nome ao rótulo rosé da vinícola.

Quanto aos vinhos brancos, a vinícola investe nos Sauvignon Blancs e é a única da região sudeste a plantar a uva Vermentino, especialidade da região do Mediterrâneo, próxima ao Mar da Itália.

Videiras em primeiro plano e cafezais em segundo plano na Vinícola Tassinari
Videiras em primeiro plano e cafezais em segundo plano na Vinícola Tassinari. Combinação perfeita.

Outro diferencial da vinícola é a produção controlada das uvas, que a permite produzir também vinhos mais encorpados e melhores, o que demonstra a atenção ao detalhe, a preocupação com a qualidade e o cuidado com o nome da marca.

Como resultado, esse trabalho vem gerando vinhos equilibrados, com boa presença, estrutura e acidez, que vêm conquistando alguns prêmios para os rótulos da Tassinari.

Como é a experiência na visita à Vinícola Tassinari

Oferecer degustação e receber o consumidor final não estava nos planos do projeto, mas com a popularização do vinho, das vinícolas fluminenses e do próprio nome Tassinari, vinculado também a vinhos e não exclusivamente a cafés, os curiosos começaram a pedir que a vinícola os recebesse.

Por conta disso, agora é possível visitar a propriedade e experimentar os sabores dos cafés e uvas que os Tassinari preparam em suas terras.

Margaridinhas amarelas com uma construção ao fundo grená com janelas azuis e as montanhas
Um local muito agradável para quem curte a vibe do interior

Degustações, vinhos e tour pelos vinhedos

A vinícola oferece dois tipos de degustação: a convencional e o brunch.

Nós fizemos a convencional, que dura cerca de 3 horas, e logo quando chegamos fomos recebidos com um bolo fresquinho e um café quentinho da própria fazenda enquanto aguardávamos o início do tour.

Mesa com garrafa e xícaras de café com bolo
Recepção antes do início do tour

O brunch também dura cerca de 3 horas, mas a degustação é acompanhada por uma espécie de pequeno almoço, com queijos, frios, pães, geleias, pastinhas, fricassé, bolos, salada de frutas e outras opções.

Mas não é sempre que o brunch está disponível, por isso, se essa for sua preferência, é importante informar-se com antecedência.

Atualmente, como mencionei acima, é necessário que o visitante chegue com seu próprio carro às colinas onde estão os vinhedos, pois a vinícola ainda não conta com veículo próprio para esse fim.

No tour guiado, em meio às vinhas, ouvimos um pouco da história da família, da fazenda, do já renomado café Tassinari e dos vinhos que estão sendo produzidos na propriedade, com uma explicação detalhada da dupla poda (explico mais abaixo) e de todo o processo, da plantação à comercialização das garrafas.

A experiência termina com a degustação dos rótulos da casa, bem explicados, e que no caso da degustação simples vem acompanhada por uma tábua com ótimos queijos, pães e embutidos da região.

O ambiente é bem descontraído, sem formalidades, e somos recebidos com muita cordialidade e carinho.

Garrafas de vinho Syrah rosé, syrah tinto e marselan da vinícola Tassinari
Degustação básica na Vinícola Tassinari

Estrutura e ambiente da Vinícola Tassinari

O plano dos Tassinari era exportar os vinhos que produzissem, mas acabaram se convencendo de comercializá-los no mercado nacional. Nós, consumidores, agradecemos.

A propriedade mantém o charme rural, com arquitetura rústica e elementos que valorizam os cafezais e a vibe provinciana que para mim é o que diferencia e dá personalidade a essa vinícola.

A casa principal é bem simples, mas acolhedora, com sua decoração colonial. É lá que acontecem as degustações enquanto a vinícola constrói seu centro de visitantes.

Para quem, como eu, foi criado no interior, a sensação de estar em casa, longe do turismo de massa, acalma e relembra que na maioria das vezes menos é mais.

Vinhas da Vinícola Tassinari no alto das colinas com a paisagem montanhosa ao fundo
Vinhas da Vinícola Tassinari

Tipos de vinhos e produtos disponíveis para venda

Na propriedade podem-se comprar vinhos, cafés e geleias produzidos por eles. Um reforço ao caráter polivalente da fazenda.

Os visitantes podem levar para casa vinhos tintos, brancos e rosés, além de edições limitadas, premiadas e safras especiais.

7 garrafas da Vinícola Tassinari enfileiradas, sendo dois bracos, 1 rosé e 4 tintos
Rótulos da Vinícola Tassinari, em São José do Vale do Rio Preto, RJ

Os rótulos refletem a diversidade do solo e do microclima locais. Ótimos para degustar e também para um presente especial com personalidade acompanhado, quem sabe, de um café da mesma marca.

Três pacotes e café Tassinari um ao lado do outro
Os cafés Tassinari têm tradição e qualidade e também podem ser adquiridos na vinícola

Dupla poda, colheita de inverno ou poda invertida

A dupla poda foi desenvolvida pelo engenheiro agrônomo brasileiro Murillo de Albuquerque Regina. A uva Syrah foi o primeiro teste e, talvez por isso, a que melhor está adaptada à região.

A técnica da dupla poda nada mais é do que realizar dois ciclos de poda ou de indução de brotação da videira por ano para antecipar ou reorganizar o ciclo da planta e permitir a colheita no inverno, fora da temporada tradicional no Brasil.

O primeiro ciclo de poda é chamado de poda de formação e acontece no inverno. O segundo é a poda de produção, feita no verão.

A amplitude térmica é extremamente benéfica para as videiras e essa é uma condição que, no sudeste brasileiro, ocorre justamente no inverno.

Com isso, o fruto pode amadurecer na época de menor chuva e melhor condição climática para vinificação no sudeste.

Folha verde de uva na parreira
A Vinícola Tassinari e suas vinhas

Por que a dupla poda é utilizada na Serra Fluminense

A adaptação dessa técnica na Serra Fluminense dá-se por alguns fatores específicos:

A região tem altitudes e temperaturas que proporcionam amplitude térmica suficiente para diferenciação da maturação das uvas favorecendo a qualidade.

O clima de inverno (menos chuva, menor incidência de determinadas doenças por fungos) proporciona um ambiente mais favorável à colheita de uvas finas.

Mas é verdade que nem tudo são flores. É fundamental ter um manejo técnico especializado com controle de brotações, de carga de uvas, de maturação, dos riscos de geada ou do frio em excesso. Nada pode passar despercebido.

É necessário também fazer uma seleção de variedades adequadas para o sistema, o solo, a altitude e o clima que viabilizem a maturação de qualidade.

A dupla poda é muito útil para regiões que querem produzir vinhos de alta qualidade fora dos padrões tradicionais. Quando bem implementada, pode trazer diferenciação e elevar o perfil dos vinhos produzidos. Por outro lado, exige estudo, adequação local e manejo rigoroso.

Taça de vinho rosé da escrito Vinícola Tassinari
O rosé Syrah da Tassinari tem bastante presença e é uma ótima opção para os dias mais quentes

Melhores épocas do ano para visitar a Tassinari

O inverno é o melhor período para visitar as vinícolas da serra fluminense, pois é quando ocorre a colheita (a famosa vindima) que, como já vimos, por aqui ocorre no inverno, diferente do que normalmente é feito em outras regiões.

Para ver as videiras carregadas de uvas, o ideal é reservar o tour de julho ao início de setembro. E por ser a época mais procurada para visitação à vinícola, não deixe para fazer sua reserva no último minuto.

A serra fluminense é um destino agradável em qualquer estação, mas cada época tem seu encanto e seus desafios.

No outono e no inverno (abril a agosto) o clima é bastante frio, com poucas chuvas, perfeito para apreciar os vinhos tintos e levar um exemplar para degustar em frente à lareira em uma pousadinha charmosa, especialidade da região serrana.

Na primavera (setembro a novembro) os vinhedos estão verdes e floridos e, além de ajudarem nas fotos, trazem um clima mais agradável para a visita aos vinhedos, que ficam entre 900 e 1.100 mt de altitude, lembra?

O verão na região traz a instabilidade típica da estação com maior possibilidade de chuvas, em especial nos fins de tarde. Mas é excelente para quem curte um vinho branco ou rosé bem geladinho.

Vinhas com rosas e a paisagem montanhosa ao fundo
As vinhas da Vinícola Tassinari e sua bela paisagem

Ainda sobre o verão, devo avisar que São José do Vale do Rio Preto é quente. Bem quente. Se for visitar nessa época, prepare-se para o calorão.

Por ser uma região mais baixa que Petrópolis e Teresópolis, a cidade não recebe a mesma quantidade de chuvas, nem a mesma intensidade de frio, embora as noites de inverno por aqui sejam também bem geladinhas.

O visual das colinas e do vale que acompanha o Rio Preto é sempre exuberante.

O vento é implacável nas colinas onde estão plantadas as videiras, por isso lembre-se de levar um casaquinho no verão e um casaco mais quente no inverno.

Independentemente da estação, é sempre recomendável agendar a visita com antecedência, especialmente nos feriados e fins de semana prolongados.

Foto aérea de parte da fazenda Tassinari com algumas construções
Foto aérea de parte da fazenda Tassinari

Dicas para aproveitar ao máximo sua experiência

  • Use calçados confortáveis e fechados, pois parte do passeio é feito em áreas rurais.
  • Chegue um pouco mais cedo, para aproveitar mais a vibe tranquila da fazenda.
  • Programe o retorno com segurança. Se for degustar vinhos, evite dirigir.
    (A vinícola indica a Pousada Espatodea, no início da Estrada Silveira da Motta, para hospedagem)
  • Você pode pagar com cartão de crédito os vinhos e produtos que comprar na vinícola.
  • Aproveite muito sua visita. Você está testemunhando o nascimento de um novo tipo de turismo no sudeste do Brasil!

*O Viagens e Andanças é um blog independente e este post não é patrocinado.

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Formada em adm. de empresas e marketing, atuando como tradutora autônoma, criei o Viagens e Andanças em 2011 para compartilhar com você uma paixão de infância: viajar. Venha comigo curtir um pouco desse mundão!

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