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Home » Viagens fora do Brasil » City Tour de Cusco pelas ruínas Incas


Enquanto planejava minha viagem me deparei com um dilema. Fazer o city tour de Cusco ou não? Sou avessa a city tour e geralmente dispenso. A pergunta que todo mundo faz é: vale a pena? Resolvi arriscar dessa vez.

O leitor que ainda não pesquisou sobre esse passeio talvez não entenda o motivo da dúvida, mas quem já coletou algumas informações sobre o city tour de Cusco, certamente me entende.

Já vou começar o artigo com a resposta: depende! :)
Pode morrer de raiva da minha resposta, mas não posso dar outra. Vou explicar por quê colocando prós e contras de cada opção. A decisão é sua.

Com agência:
Vale a pena se você tem pouco tempo e não liga para fazer tudo correndo.
Vale a pena se você quer as explicações dos guias pois, afinal, sem elas nenhuma das ruínas tem muita graça.
Vale a pena se você tem pouca grana e quer economizar uma graninha.
Nas fotos sempre vai aparecer alguém pois os tours chegam praticamente juntos e os locais ficam lotados.
Se gosta de fotografia vai morrer de raiva pois quase não dá tempo de nada.
Todos os city tours de agência começam às 14hs e terminam por volta das 18h numa loja de roupas e são feitos com micro-ônibus.

Com taxi particular:
Vale a pena se você tem grana para bancar esse passeio sozinho pois você pode passar em cada sítio arqueológico o tempo que desejar.
Para quem gosta das explicações, só vale a pena se o taxista servir também como guia, explicando o que cada coisa representa.
Também vale a pena se você não tem tanta grana sobrando assim mas conseguir dividir o taxi com amigos.
Lembre-se de combinar o preço com o taxista antes!
Você pode fugir um pouco do horário das excursões e pegar os locais com menos gente.
Você foge da parte comercial da excursão, se desejar.

Taxi até o último sítio e você visitando os sítios sozinho:
É possível fazer o city tour seguindo o roteiro mas sem agência nem guia.
Você perde as explicações e a história dos lugares, parte que para mim é muito importante e interessante.
Precisa estar disposto para caminhar (já que pegou condução até o útimo sítio, os outros são na descida, mas nem tão perto uns dos outros).
É a opção mais barata.
Você faz seu tempo nos locais mas precisa estar atento para não perder tempo demais e ter que descer para outras ruinas no escuro.
O caminho é deserto. Não sei dizer se é perigoso, mas não aconselho fazer sozinho.
Você foge da parte comercial da excursão, se desejar.
Me parece que também há ônibus que passam por Tambomachay, onde se deve descer para fazer o city tour a pé.

Bem, dito isso, vamos ao city tour em si. Fizemos com agência e morremos de raiva da correria. Eu particularmente, gostaria de ter optado pelo taxi pois gosto de explorar os locais e tirar fotos com mais tranqulidade do que consegui.

Como todos os passeios de lá, uma pessoa da agência te busca no hotel a pé e vamos juntos caminhando até a Praça Regozijo. De lá saem e retornam as vans e ônibus. Nosso guia Juan Carlos juntou o grupo e fomos caminhando até o Qoricancha. É perto. Lá dentro ele explicou detalhadamente a história do lugar.

Todos os locais mencionados neste post estão incluídos no boleto turístico de Cusco, com excessão do Qoricancha, onde se paga uma entrada de 10 s/ adulto e 5 s/ estudantes com carteirinha ISIC.

Há um outro city tour em Cusco, que é feito num ônibus panorâmico, mas dura bem menos tempo e se anda somente na cidade, não visita os sítios arqueológicos.

Qoricancha

Qoricancha, ou Inti Wasi significa Templo do Sol. Era o templo Inca mais importante em Cusco. A visita ao Qoricancha é paga à parte mesmo por quem tem o boleto turístico de Cusco. A entrada é 10 s/ e a carteirinha ISIC é aceita.

No Qoricancca eram feitas cerimônias, estudos matemáticos e astronômicos. A disposição das pedras é perfeita e por isso se sabe da importância daquele lugar para o povo Quechua. Lá ainda estão ruínas dos templos:
– Do Sol
– Da Lua
– De Vênus e das Estrelas
– Dos Raios, relâmpagos e trovões
– Do Arco-Íris

Nosso guia explicando como são encaixadas as pedras. Elas têm um estalhe para encaixe que dão firmeza.

Nosso guia explicando como são encaixadas as pedras. Elas têm um entalhe para encaixe que dão firmeza.


O conquistador espanhol destruiu grande parte desses templos mas destruiu completamente o mais importante deles: o Templo do Sol. Em cima dele foi edificada a torre do Convento de Santo Domingo e ao redor de todos os outros templos foram construidos os edifícios que formam o convento. Com os terremotos que aconteceram na região várias construções coloniais foram destruídas, mas as construções incas continuam firmes e fortes.

Praça do Qoricancha

Praça do Qoricancha


Uma história triste que evidencia a brutalidade dos conquistadores e seu interesse em, ao invés de assimilar o conhecimento do povo conquistado, o desejo de submetê-lo simplesmente pelo poder do ouro. As paredes do Templo do Sol eram, à época Inca, revestidas em ouro, que foi totalmente retirado e enviado à Espanha.

O local é interessante mas, para mim, bem triste. No Qoricancha é permitido tirar fotos mas não das pinturas.
Do lado de fora pela Av El Sol se acessa o Museu do Qoricancha, que está incluido no boleto turístico.

Qoricancha visto da Av. El Sol

Qoricancha visto da Av. El Sol

O Qoricancha é o primeiro lugar visitado no city tour de Cusco e fica bem dentro da cidade, de fácil acesso.

O Qoricancha funciona de segunda a sábado das 08:30 às 17:30 e no domingo das 14:00 às 17:00 Horas.

Saqsayhuaman

De todos os sítios do city tour achei Saqsayhuaman o mais legal. Pedras enormes e uma ótima vista da cidade ilustram a história desse local. É em Saqsaywaman que atualmente se realiza o Inti Raymi, festival religioso em homenagem ao Deus Sol. A cidade de Cusco fica lotada para o tradicional festival.

Ruínas de Saqsayhuaman, Cusco, Peru

Ruínas de Saqsayhuaman, Cusco, Peru


A história mais aceita diz que Saqsaywaman era uma fortaleza, mas pelo cuidado na colocação das pedras se desconfia que o local foi palco para cerimônias importantes da época Inca.

Lá algumas lhamas pastavam despreocupadamente e uma senhora vestida a caráter esperava os turistas para fotos em troca de uma “propina”.

Vai uma foto aí? Elas estão por toda parte para uma foto em troca de uma "propina"

Vai uma foto aí? Elas estão por toda parte para uma foto em troca de uma “propina”


Em Saqsayhuaman experimentamos pela primeira vez os choclos, que são milhos grandes e deliciosos servidos com um pedaço de queijo tipo minas. Não deixe de experimentar, 2,5 s/ somente! Aliás, milho é o que não falta na região. Há de todo tipo, tamanho e cor. Incrível! As mulheres que vendem os choclos em Saqsayhuaman ficam no estacionamento do sítio arqueológico.

Vá preparado para Saqsayhuaman. Lá venta muito e faz muito frio!

Saqsayhuaman e seu pátio gramado. É um local muito bonito

Saqsayhuaman e seu pátio gramado. É um local muito bonito


Pukapukara

Logo na chegada em Pukapukara, bem onde param os ônibus e carros, os nativos ficam vendendo seus artesanatos. Confesso que não perguntei preço pois não daria mesmo tempo para comprar nada. Ali também vendem chá de coca quentinho e algumas frutas. Em Tambomachay, próxima atração do city tour, a feirinha é bem maior e os vendedores ficam o tempo todo assoprando uma espécie de apito que faz barulho de pássaro para chamar a atenção dos turistas.

Pequena feirinha de artesanatos e frutas pertinho de Pukapukara, Cusco

Pequena feirinha de artesanatos e frutas pertinho de Pukapukara, Cusco


Pukapukara é um sítio mais simples mas com uma vista linda para o vale.

Pukapukara e sua linda vista para o vale

Pukapukara e sua linda vista para o vale


O guia nos contou que Pukapukara funcionava como uma espécie de armazém de alimentos onde ficavam estocados os diversos produtos trazidos a Cusco. Mas Pukapukara também funcionava como alojamento para pessoas que vinham de fora da cidade.

A visita a esse sítio é bem rápida pois não há muito o que ver.

Tambomachay

Tambomachay é o local mais alto que chegamos no city tour. De todos os sítios que visitamos, foi também o mais puxado. O problema é que para chegar nas fontes e nas ruínas, precisamos subir uma ladeira. E aí, já viu né? Na altidude tudo é mais difícil. Nada que um passo atrás do outro não resolva, mas cansa um cadinho. :)

Disse-nos o guia que já foram feitos vários estudos a fim de descobrir de onde vinha a água das fontes de Tambomachay mas até o momento ninguém descobriu a fonte de onde os Quechuas canalizaram a água. Encontraram várias possíveis nascentes e colocaram na água uma coloração que não chegou às fontes de Tambomachay. O mistério permanece.

As fontes misteriosas de Tambomachay

As fontes misteriosas de Tambomachay


A água era extremamente importante para o povo Quechua, que escondia as fontes para que seus inimigos não envenenassem a água na intenção de matar seus reis. Levavam muito a sério o trabalho de condução da água.

Em Tambomachay há uma pequenina feira de artesanato também muito interessante, com produtos muito bonitos e as tradicionais senhoras vestidas a caráter para fotos com turistas.

Cholita com sua llamita em Tambomachay. Ela ouviu meu clique e pediu uma "propina" :)

Cholita com sua llamita em Tambomachay. Ela ouviu meu clique e pediu uma “propina” :)


A água das fontes do sítio arqueológico de Tambomachay não é potável.

Tambomachay é o ponto mais alto do city tour com 3.675m. Qualquer ladeirinha ou escadinha parecem eternas. Tudo cansa.

Tambomachay é cerca de 400m mais alto que Cusco

Tambomachay é cerca de 400m mais alto que Cusco


Q’enqo

Infelizmente chegamos a Q’enqo já anoitecendo e na correria e não pudemos explorar o sítio. Não sei se pelas condições da luz ou por ser mesmo mais simples, não gostei muito do local Q’enqo. Mas de lá se tem uma bela vista da cidade de Cusco.

Cusco vista de Q'enqo

Cusco vista de Q’enqo


O guia nos levou diretamente para o uma câmara subterrânea onde há um altar. Nesse altar, disse o guia, sacrificavam crianças e lhamas.

A mesa de sacrifícios de Q'enqo

A mesa de sacrifícios de Q’enqo


Lojinha de roupas

Ao final do tour o guia nos levou para cumprir a parte comecial da excursão. Paramos numa loja que vende roupas de lã de alpaca. Um homem explicou como reconhecer a lã de alpaca adulta e alpaca bebê para não sermos enganados nas feiras. A diferença é no peso, no toque e no brilho dos tecidos que são realmente lã de alpaca e os que não são. A lã de alpaca não tem brilho, pesa mais e tem o toque meio frio. Interessante, mas os preços dos produtos dessa loja são salgadinhos. Dá pra pechinchar, claro, mas os descontos não são dos melhores. Toda hora o guia falava “senhores, não comprem nas feirinhas que econtrarmos no caminho pois ao final iremos numa loja com preços melhores”. Não pesquisei o preço das peças nas feirinhas em Pukapukara e Tambomachay, mas o centro comercial de Cusco é bem mais barato que essa loja.

Muita variedade na loja ao final do city tour, mas os peços são salgados

Muita variedade na loja ao final do city tour, mas os preços são salgados


O city tour de Cusco se resume a isso. Os sítios são interessantes e estão, todos eles, dentro da cidade. Certamente vale a pena conhecer os sítios, independente da maneira que você escolher. São locais que contam um pouco da história do povo Quechua e seus Incas e servem como preparação para o que vamos ver em Machu Picchu. Meu conselho é que o city tour, bem como qualquer visita a ruínas, seja feito antes da visita à cidade Inca nas montanhas pois depois de machu Picchu, tudo fica meio ofuscado e simples demais. ;)

Outros posts sobre o Peru:
Águas Calientes (ou Machu Picchu Pueblo), no caminho para a cidade dos Incas
Museu Histórico Regional de Cusco
Museu Inca de Cusco
Hotel Inti Pata, Águas Calientes
Onde comer em Cusco e região gastando pouco
Valle Sagrado de Los Incas – Parte II: Ollantaytambo
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Salineras de Maras, Terraços de Moray e lã em Chinchero, Peru
Soroche ou mal da altitude. O que é e como evitar
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Como chegar a Machu Picchu e retornar a Cusco
Cusco: o umbigo do mundo fica no Peru
Preparando uma viagem a Machu Picchu, Peru
Machu Picchu, a cidade Inca nas montanhas

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17 Responses to City Tour de Cusco pelas ruínas Incas

  1. RODRIGO disse:

    Ola , gostei muito do post , Estou viajando e gostaria de ir com agencia . Voce comprou aqui no Brasil ou quando chegou ? qual mas o menos o custo ?

    • Camila Guerra disse:

      Oi Rodrigo!
      Comprei lá mesmo na hora pois é muito mais fácil você conseguir descontos, especialmente se comprar outros passeios com a mesma agência e se conseguir se unir a mais pessoas. Éramos 4 pessoas e isso me deu um “poder de negociação” melhor.
      Não me recordo om valor desse tour pois comprei várias coisas juntas. O pacote em 2013 saiu a U$ 150 e incluía várias outras coisas.
      []’s

  2. danubia disse:

    Oi Camila, td bem? Estou adorando seus relatos sobre o Peru ;)
    Vc acha que é necessário levar muitas roupas de frio? vou no inverno (junho) e acho que corro o risco de congelar… estava pensando em comprar roupas quentes típicas de lá mesmo, será que elas dão conta?
    bjos

    • Camila Guerra disse:

      Oi, Danubia!
      Olha, acho que as roupas de lá até dão conta sim, as lãs são quentinhas mas te aconselho a levar (ou comprar lá) um casaco impermeável. Há locais onde venta muito e só a lã ou o moleton não dão conta. Acho que o ideal é você se vestir em camadas pra poder ir tirando ou colocando as peças de cima caso o tempo mude. A região é bem fria e nessa época vai precisar de gorrinho, luvinhas e meias quentinhas. Isso tudo você acha lá, inclusive o casaco impermeável pois além das feirinhas, há muitas lojas que vendem produtos de montanha como fleeces, casacos e calças impermeáveis, botas e tal.
      []’s

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