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Home » Viagens fora do Brasil » Valle Sagrado de Los Incas – Parte II: Ollantaytambo


    Quem não leu o meu primeiro post sobre o Vale Sagrado, leia.

    Após o sufoco em Pisaq, fomos almoçar no restaurante em Urubamba, outra cidade do Vale Sagrado mas que não tem muitos atrativos. O guia nos levou ao restaurante Illati. O almoço é tipo self-service com direito a uma sobremesa e já estava incluido no pacote, mas bebidas à parte. A comida do Illati não é nada demais, mas quebra o galho.

    No restaurante há banheiros, mas nada de papel! Lembra da dica que tenho repetido em quase todos os posts sobre o Peru? Então, leve o seu papel higiênico.

    Saímos de Urubamba com destino a Ollantaytambo que fica a aproximadamente 60km de Cusco. Ollanta, como é chamada pelos locais, é uma cidadezinha pobre e que parece ter parado no tempo. Muitas ruas de pedra, ruínas, cholas, crianças vestidas a caráter.

    Crianças em Ollanta vestidas para fotos. Um clique e eles chegam pedindo uma propina.

    Crianças em Ollanta vestidas para fotos. Um clique e eles chegam pedindo uma propina.


    Há uma pequena feirinha bem na entrada das ruínas. Ali é o ponto de parada dos ônibus de excursão.

    Mais uma vez prepare-se para se cansar. Muitos degraus dão acesso às ruínas da fortaleza de Ollantytambo, um complexo militar, administrativo, agrícola e também religioso. Em Ollanta você encontra o Templo do Sol e outros locais com suas pedras incrivelmente grandes e bem polidas. É, sem dúvida, uma obra muito interessante.

    Templo do Sol de Ollantaytambo e seus seis monolitos enormes. É incrível!

    Templo do Sol de Ollantaytambo e seus seis monolitos enormes. É incrível!


    Quando o guia nos mostrou de onde transportaram todas as pedras, inclusive os seis monolitos, não acreditei. Os Quechuas eram mesmo um povo muito determinado. A pedreira de onde tiraram os blocos que hoje estão no sítio, fica do outro lado do vale, numa montanha. Você fica olhando e imaginando a trabalheira…

    No monolito do meio está esculpida meia Chakana (a cruz andina, que nada tem a ver com o Cristianismo).

    As construções Incas mais importantes eram sempre feitas com capricho

    As construções Incas mais importantes eram sempre feitas com capricho


    O drama de Ollantaytambo

    Acredita-se que o nome Ollantaytambo vem da época do General Ollantay, chefe do exército Inca que havia sido protagonista de um drama de amor. Conta-se que o General Ollantay era de origem plebéia e foi condecorado por Pachacutec (considerado o primeiro Inca) general de seu exército em agradecimento ao excelente serviço prestado por Ollantay. Confiante na eficiência de seu general, Pachacútec prometeu a ele o que quisesse em troca da expansão do Império Inca. O general compriu sua função ajudando o Inca em sua investida de crescimento. No entanto, Ollantay se apaixonou por Kusi Quyllur (Estrela Alegre), filha do Inca Pachacutec e como troca pelas conquistas, pediu sua mão. De acordo com a tradição Inca, um plebeu jamais poderia sonhar se casar com uma princesa. O Inca enfurecido negou e encarcerou sua filha num calabouço para que lá ela tivesse seu bebê, fruto do amor com Ollantay.


    Desesperado por achar que sua amada havia sido morta, Ollantay deserta e foge para a cidade que hoje leva seu nome. Estabelece lá seu próprio exército para combater Pachacutec. Diz a história que por dez anos, até sua morte, Pachacutec enviou tropas no intuito de capturar Ollantay, mas todas foram derrotadas pelo antigo general.

    Ruínas da fortaleza de Ollantaytambo, Vale Sagrado dos Incas

    Ruínas da fortaleza de Ollantaytambo, Vale Sagrado dos Incas


    Com a morte de Pachacutec, assume o reino seu filho Túpac Yupanqui, que não desiste de capturar Ollantay. O general Rumi Ñahui, que havia falhado outras vezes em sua tentativa de capturar Ollantay, dessa vez trabalha com astúcia. Aparece ferido às portas de Ollantaytambo dizendo-se expulso pelo novo rei. Ollantay acolhe Rumi Ñahui, que durante uma festa abre as portas da cidade ao seu exército, que finalmente captura Ollantay e seus colaboradores.

    Levados a Yupanqui, o rei estipula a pena de morte, mas na última hora perdoa o antigo general condecorando-o general maior e lhe concedendo a mão da princesa Kusi Quyllur, encarcerada desde então com sua filha por dez longos anos. E assim, com final feliz, termina o drama do general Ollantay. Essa história virou livro, peça teatral e tem importância significativa na história do povo Quechua.

    A importância de Ollantaytambo

    Ollanta, como é chamada pelos locais, não tinha só importância militar. A cidade possui um armazém na montanha que era vigiado noite e dia. Há também um observatório astronômico bem elaborado, construido estrategicamente na montanha. Mais acima na montanha o rosto de um Inca guarda a cidade. Não se sabe se a imagem foi moldada, mas acredita-se que seja natural.

    Um Inca na montanha guarda a cidade de Ollantaytambo

    Um Inca na montanha guarda a cidade de Ollantaytambo


    Na foto abaixo você vai ver duas construções horizontais mais claras na montanha. A construção horizontal da direita servia como depósito de alimentos. A mais fina da esquerda era o observatório astronômico. Atualmente é possível chegar ao depósito mas a trilha que chegava ao observatório foi destruida por um deslizamento de terra impossibilitando a visita. O rosto do Inca fica na lateral esquerda dessa mesma montanha.

    Montanha em frente ao sítio de Ollantaytambo com o observatório e o depósito

    Montanha em frente ao sítio de Ollantaytambo com o observatório e o depósito


    Percebe-se que como a maioria (se não todas) as construções Incas mais importantes, o sítio arqueológico de Ollantaytambo está em um local estratégico. De lá se tem uma vista privilegiada para vários pontos do vale.

    Após a explicação do guia, fomos explorar o local. A tarde já estava no fim e a noite já estava começando a cair.
    Dê-se tempo. Aproveite o sítio com calma, vale!

    Explore as ruínas de Ollantaytambo com calma e tente compreender um pouco melhor a história daquele povo

    Explore as ruínas de Ollantaytambo com calma e tente compreender um pouco melhor a história daquele povo


    A visita a Ollantaytambo foi a que mais gostei, depois de Machu Picchu, claro. Não só pelo sítio, mas pela cidade toda. Parece que ali a civilização se desenvolve devagar, a tecnologia ainda não fez suas vítimas e a herança cultural permanece importante, conservada.

    No sítio arqueológico de Ollantaytambo há banheiros. Novamente lembro: leve seu papel higiênico.

    Saímos do sítio com peninha, mas precisávamos pegar o trem e não queríamos chegar lá em cima da hora. Na saída passei na feirinha e depois de pechinchar bastante comprei dois bastões de caminhada (claro, nenhum Black Diamond, mas…) por 45 s/.

    Fomos caminhando mais um pouco pelas ruas de pedra, observando o povo, os turistas. Eu gostaria de ter passado pelo menos um dia e uma noite em Ollantaytabo. Se retornar um dia, certamente farei isso. Embora a cidade seja humilde e bem conservada, há muitos restaurantes e pousadas.

    Há uma parte mais nova na cidade, que fica mais perto da estação de trem. Mas a parte interessante é antiga com suas ruelas de pedra, com o povo local e toda sua história.

    Após uma rápida olhada pela cidade, fomos para a estação para pegar o trem que nos levaria a Águas Calientes. Do sítio arqueológico até a estação é bem perto e dá pra ir caminhando. Mas se o cansaço falar mais alto, vale a pena pagar 1 s/ por um transporte tipo romizeta.

    Transporte até a estação de trem de Ollantaytambo

    Transporte até a estação de trem de Ollantaytambo


    Essa foi nossa última visita no Vale Sagrado de Los Incas. O passeio vale a pena, mas os mais exigentes como nós, acharão muito corrido. Há várias maneiras de você conhecer as cidades do Vale Sagrado. Você pode comprar um passeio com agência e ir de ônibus, pode combinar o passeio com um taxi, pode pegar ônibus e ir fazendo baldeações pelo caminho. Enfim, seja qual for o transporte que você escolher, não deixe de visitar o Vale Sagrado dos Incas.

    Ollantaytambo conquistou meu coração. Pela beleza, pela história, pela simplicidade, pelas ruínas e pela energia do lugar. É daqueles passeios que a gente fica com a sensação de “mas já acabou?”.

    Outros posts sobre o Peru:
    Águas Calientes (ou Machu Picchu Pueblo), no caminho para a cidade dos Incas
    Museu Histórico Regional de Cusco
    Museu Inca de Cusco
    Hotel Inti Pata, Águas Calientes
    Onde comer em Cusco e região gastando pouco
    Valle Sagrado de Los Incas – Parte I: Pisaq
    Salineras de Maras, Terraços de Moray e lã em Chinchero, Peru
    Soroche ou mal da altitude. O que é e como evitar
    City tour de Cusco pelas ruínas Incas
    Hotel Royal Qosqo, Cusco
    Como chegar a Machu Picchu e retornar a Cusco
    Cusco: o umbigo do mundo fica no Peru
    Preparando uma viagem a Machu Picchu, Peru
    Machu Picchu, a cidade Inca nas montanhas

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23 Responses to Valle Sagrado de Los Incas – Parte II: Ollantaytambo

  1. Bianka disse:

    Ola Camila,
    adorei seu blog. Também vou fazer os passeios ao Peru no mesmo mês q vcs fizeram. Poderia falar mais sobre o clima e as temperaturas nos vários locais em que esteve?
    Obrigada, Bianka

    • Camila Guerra disse:

      Oi, Bianka!
      Não sei te dizer a temperatura exata que enfrentamos, mas no geral, estava relativamente quente durante o dia e bem fresquinho durante à noite. Mas isso depende do tipo de temperatura que você aguenta. Nós aqui na minha cidade estamos acostumados com clima frio. Todos foram de shorts para Machu Picchu e eu me arrependi demais de ter ido de calça comprida, estava muito calor. Se tiver uma calça-bermuda, acho que é o ideal. No restante dos passeios usamos calça e camiseta. Geralmente estava bem quente no sol e fresquinho na sombra, a ponto de colocarmos blusa. Durante a noite esfriava bastante para uma blusa de fleece mais quente. Em Saqcsaywaman, por exemplo, venta MUITO e tive que colocar o corta vento, gorrinho e luva. Mas foi o único lugar que usei esses apetrechos.
      []’s

  2. Joiceana disse:

    Olá, tudo bem?!
    Adorei as dicas, mas tenho uma dúvida, quero fazer o passeio e ao final pegar o trem, assim como você fez, mas, e a mala??? A gente carrega o tempo todo??? Fica no ônibus/van??? É seguro???

  3. Paulo Martinelli disse:

    Fiquei com uma dúvida a respeito dos passeios que preciso entender: Nas empresas que oferecem o passeio li que as entradas nas atrações estão inclusas, então porque é necessário adquirir o Boleto Turístico, ou existe a opção de tem o boleto e quem não tem ?
    Grato

    • Camila Guerra disse:

      Paulo, aí depende muito.
      Quando fui negociar os passeios a agência me perguntou se eu já tinha o boleto pois se não tivesse eles me aconselhariam a comprar.
      Com o boleto as entradas acabam ficando bem mais baratas. Precisa ver com a agência quais são as entradas que estão incluídas nos passeios que você vai fazer e se compensa comprar o boleto por fora e comprar o passeio sem as entradas. Lá tudo é negociável.
      []’s

      • Paulo Martinelli disse:

        Valeu Camila:

        Mais algumas dicas que vou pedir para voce: O city tour vale a pena fazer com ou sem guia ? Li que visitar Machu Pichu com guia não é legal porque o lugar por si só já diz tudo e com o guia voce fica preso e condicionado ao horário.
        Outra coisa: voce dormiu em Aguas Calientes e depois foi para MP ???

        Grato pelas repostas.

        • Camila Guerra disse:

          Paulo, vamos lá:
          1) City Tour:
          – Se tiver com quem dividir o custo de um taxi, vale a pena fazer particular com um taxista que também sirva de guia. Nessa opção você faz seu horário em cada lugar.
          – O city tour com agência é aquela coisa corrida e formatada. Não é que seja ruim, mas você fica totalmente preso ao horário do grupo e no fim é levado para uma loja de roupas que de barato não tem nada.
          – Para os mais “duros”, há possibilidade de pegar um ônibus até Tambomachay e descer a pé percorrendo os outros sítios. O ruim aqui é que tem trechos longos (e desertos) para fazer a pé e pode demorar o dia todo.
          2) Machu Picchu:
          – Eu gostei de fazer o tour com o guia pois acho que sem ele não dá pra conhecer a história do local e nem o significado das pedras. Se fizer com guia minha sugestão é que chegue cedo, percorra a parte baixa, faça Huayna Picchu e depois encontre um guia na portaria, fique com ele para o tour e depois faça o restante (outras trilhas, por exemplo) sozinho.
          – Você pode comprar um guia de papel e conhecer a história da cidade sozinho. O guia impresso é vendido na entrada do parque mas não é baratinho.
          – Se não se importar com a história do local e as explicações do guia, então faça o tour sozinho. Depende de você
          3) Sim, pernoitei em Águas Calientes. Dá uma lida nos meus outros posts da série Peru que você vai encontrar muita coisa explicadinha: http://bit.ly/1eOJ31g
          []’s

          • Paulo Martinelli disse:

            Entendi suas explicações. Estou indo para o Peru de carro via Chile e por isso estou querendo essas informações detalhadas. Estou atento não somente nesse site como em outros, mas aqui está tudo bem completo.
            Valeu….

          • Camila Guerra disse:

            Beleza, Paulo! Vai fazer uma viagem e tanto! :)
            Se precisar de mais informações é só perguntar.
            []’s

  4. Thais disse:

    Oi Camila, meu nome é Thaís e adoro viajar…
    Estou adorando seu blog, que está sendo mto útil pra eu e meu noivo programarmos nossa viagem para o Perú em abril deste ano. Tenho umas dúvidas sobre o Vale Sagrado, se vc puder me dar umas dicas…Lá vai:
    1) Vc foi do Vale Sagrado para Águas Calientes com sua bagagem? Se sim, o que fez com elas durante o passeio? Deixou em algum lugar?

    2) Com qual agência de Turismo vc fechou esse passeio do Vale Sagrado???

    Novamente te agradeço…
    Beijos

    • Camila Guerra disse:

      Oi Thaís, Obrigada!
      1) Deixei a bagagem no hotel em Cusco e fui só com uma mochila simples. Os hotéis em Cusco têm um cômodo para guardar bagagens e não cobram nada por isso. No hotel em Águas Calientes deixei algumas coisas também como roupa suja, coisinhas que comprei e etc.
      2) Fechei todos os meus passeios com a Peru Golden Treks & Expeditions (Galerías La Merced).
      []’s

  5. Este foi um dos lugares que eu mais gostei quando visitei o Peru em 2007. Concordo com tudo que você falou da cidade. Parece que parou no tempo mesmo, é impressionante. E também fique com muita vontade de voltar, quem sabe um dia :)

    Parabéns pelo post!

    Abraços,
    Helder

    • Camila Guerra disse:

      Olá, Helder!
      Acho que dá pra passar um dia inteirinho ali, só na cidade… Ollanta é uma gracinha.
      Também pretendo voltar. O Peru estava na lista de desejos antes da viagem e depois voltou pra lista. Rsrrs… :)
      []’s

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